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A adoção de óvulos: o impasse do desejo de filho

O conceito de família tem passado por grandes transformações diante das mudanças sociais que acontecem na modernidade. Neste contexto dinâmico, as novas descobertas no campo da reprodução assistida “revolucionaram” o mundo.

Com o advento e a difusão dessas técnicas, homens e mulheres, independentemente de seu estado de união, orientação sexual ou idade, ou seja, homossexuais, pessoas solteiras, mulheres fora da idade reprodutiva, transsexuais dentre outros casos, passaram a utilizar as citadas técnicas para chegar a concretizar a aspiração de ter filhos.

É fundamental destacar que quando a doação de óvulos e/ou sêmen é indicada, na maioria das vezes, o casal, já percorreu um longo caminho. Desde o diagnóstico da infertilidade, a investigação de suas causas e até a realização das mais variadas terapêuticas, muito tempo de suas vidas se passou. Todo este processo marcado por esperanças e frustrações, provoca na singularidade de cada história feridas de intensas e variadas profundidades. O limite de não poder mais ter um filho genético se impõe e diante dele, a indagação: o que me tornará pai ou mãe? Uma profunda e necessária tristeza deverá advir deste limite, para que o casal consiga elaborá-la e então, somente então, abrir-se para outras possibilidades de realização do desejo de paternidade e maternidade. Cansados, confusos, inquietos, mas, ainda esperançosos, é assim que chegam a maioria dos casais para os quais a doação de gametas é indicada.

O casal que decide constituir sua família utilizando o recurso de doação de óvulos e/ou sêmen, além da necessária reformulação sobre a paternidade/maternidade, deve renunciar ao desejo e à possibilidade de ter um filho genético; uma encruzilhada que divide o desejo de formar uma família em dois caminhos: ou se renuncia ao filho, ou se pensa em alternativas, seja receber doação de um ou ambos os gametas para gestar o filho que irão criar e educar.

A emergência destas novas formas de família requer a compreensão de   suas vivências únicas em torno da experiência de parentalidade.

O acompanhamento psicológico deve ser disponibilizado em qualquer fase do diagnóstico e do tratamento, para que os casais possam, num primeiro momento, aceitar o diagnóstico médico e, num segundo momento, ter uma melhor compreensão das exigências inerentes aos processos que terão de enfrentar, bem como tomar decisões mais informadas. Neste processo, o profissional de saúde mental deve ajudar os casais a desenvolver estratégias e oferecer suporte emocional para que estes possam expressar as suas emoções e explorar questões que sintam como mais ameaçadoras.

Dra. Helena Lopes Prado
Psicóloga

18 de maio de 2020